NVMe-oF no Ceph: Como levar o armazenamento distribuído a um novo patamar de performance
- Everton Pasqualin

- 22 de jan.
- 3 min de leitura
O crescimento acelerado de workloads críticos — como virtualização densa, bancos de dados distribuídos, containers, IA/ML e ambientes de cloud privada — expôs os limites dos protocolos tradicionais de armazenamento em rede. Nesse cenário, o NVMe over Fabrics (NVMe-oF) surge como um divisor de águas ao permitir acesso remoto a dispositivos NVMe com latência próxima ao acesso local.
Quando combinado ao Ceph, um dos sistemas de armazenamento distribuído mais robustos e escaláveis do mercado, o NVMe-oF transforma completamente o desempenho e a eficiência do storage em ambientes corporativos e de datacenter moderno.
O que é NVMe-oF (NVMe over Fabrics)?
O NVMe-oF é uma extensão do protocolo NVMe que permite que comandos NVMe sejam transportados por redes de alta velocidade, eliminando gargalos históricos de protocolos como iSCSI e Fibre Channel tradicionais.
Ele pode operar sobre diferentes tipos de fabric, entre eles:
Ethernet com TCP (NVMe/TCP) – mais simples de implementar, ideal para ambientes existentes

Ethernet com RDMA (RoCEv2) – latência extremamente baixa e menor uso de CPU

InfiniBand – altíssima performance em ambientes HPC
Fibre Channel (FC-NVMe) – evolução natural para ambientes FC legados
O grande diferencial do NVMe-oF é preservar a eficiência do protocolo NVMe mesmo em acesso remoto, algo que protocolos SCSI nunca conseguiram fazer de forma eficiente.
Por que o Ceph se beneficia diretamente do NVMe-oF?
O Ceph é um sistema de armazenamento distribuído definido por software (SDS), amplamente utilizado em cloud privada, provedores de serviço e ambientes enterprise. Ele oferece:
Object Storage (RGW)
Block Storage (RBD)
File Storage (CephFS)
Alta disponibilidade nativa
Escalabilidade horizontal
Porém, em ambientes de alta performance, o desempenho do Ceph sempre foi fortemente influenciado por:
Latência de rede
Overhead de protocolo
Capacidade da CPU dos hosts
É exatamente nesses pontos que o NVMe-oF muda o jogo.
Comparação de Cenário Real: iSCSI vs NVMe-oF no Ceph
Característica | iSCSI Tradicional | NVMe-oF |
Latência média | Alta (stack TCP + SCSI) | Muito baixa (NVMe nativo) |
Throughput | Limitado | Muito superior |
Overhead de CPU | Alto | Baixo (especialmente com RDMA) |
Escalabilidade | Limitada | Ideal para scale-out |
Workloads críticos | Sofrem degradação | Operam com estabilidade |
Na prática, em ambientes reais de produção, é comum observar:
Redução de 40% a 70% na latência
Ganhos significativos de IOPS e throughput
Menor consumo de CPU nos nós de computação
Maior previsibilidade de performance em horários de pico
Benefícios do NVMe-oF no Ceph
Latência drasticamente menor
O NVMe-oF elimina múltiplas camadas de abstração, permitindo que o Ceph entregue respostas muito mais rápidas, algo essencial para bancos de dados, VMs críticas e aplicações sensíveis a latência.
Throughput elevado e consistente
Com redes de 25GbE, 40GbE ou 100GbE, o Ceph consegue explorar todo o potencial dos SSDs NVMe sem gargalos artificiais.
Melhor uso da CPU
Com RDMA, o tráfego de dados ocorre diretamente na memória, liberando CPU para as aplicações e para o próprio Ceph.
Escalabilidade real
O NVMe-oF permite crescer o cluster sem penalizar o desempenho, algo fundamental em arquiteturas distribuídas.
Base sólida para cloud privada e HCI
Ambientes Proxmox + Ceph, OpenStack ou Kubernetes se beneficiam diretamente dessa arquitetura.
Arquitetura Recomendada para NVMe-oF com Ceph
Para um ambiente estável e de alta performance, recomenda-se:
SSDs NVMe enterprise (com alta durabilidade e suporte a namespaces)
Rede dedicada para storage
Mínimo: 25GbE
Ideal: 40GbE ou 100GbE
Switches com baixa latência
Separação clara de redes:
Storage (NVMe-oF / Ceph)
Cluster / Replicação
Management
MTU configurado corretamente (Jumbo Frames)
Integração do NVMe-oF com o Ceph na Prática
O NVMe-oF pode ser utilizado no Ceph principalmente em dois cenários:
Backend NVMe de alta performance para OSDs
Os OSDs passam a operar sobre dispositivos NVMe acessados via NVMe-oF, reduzindo latência e aumentando IOPS.
Ceph RBD para workloads críticos
Volumes RBD se beneficiam diretamente da menor latência, melhorando:
Performance de VMs
Bancos de dados
Sistemas transacionais


Boas Práticas de Implementação
Validar latência da rede antes da produção
Monitorar CPU, latência e filas de I/O
Usar ferramentas como:
fio
ceph -s
ceph osd perf
Evitar misturar tráfego NVMe-oF com tráfego genérico
Testar exaustivamente antes de migração
Conclusão
A integração do NVMe-oF com o Ceph representa um passo natural para ambientes que exigem alta performance, baixa latência e escalabilidade real. Não se trata apenas de “mais velocidade”, mas de eficiência operacional, melhor aproveitamento de hardware e maior previsibilidade para workloads críticos.
Para datacenters modernos, cloud privada, HCI e ambientes enterprise, o NVMe-oF deixa de ser tendência e passa a ser estratégia.
Se o objetivo é extrair o máximo do Ceph e preparar a infraestrutura para os próximos anos, NVMe-oF não é mais opcional — é o caminho natural.
Everton Pasqualin | Especialista em Soluções de Cloud e TI
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